A Religião Psicológica

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ciência e fé na luta de Gianecchini


reynaldogAmplamente divulgado em diversos sites e meios de comunicação, o ator Reynaldo Gianecchini, 38 anos, passou por uma cirurgia espiritual devido ao câncer linfático diagnosticado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no final do mês de agosto. Gianecchini submete-se ainda a fortes sessões de quimioterapia,  e dá  simultaneamente continuidade ao tratamento espiritual à distância para ajudar a curar a doença.
Capa da revista Veja (edição 2235), o ator, careca e com o seu característico sorriso, chamou a atenção não somente pelo novo visual, mas pelo tema de que acabou sendo protagonista – Medicina e fé. Isso porque o assunto “cura espiritual” ainda causa espanto, curiosidade, embora seja cada vez mais discutido nos meios científicos, como um fato que, independentemente de ser aceito ou não, existe.
Segundo o autor espiritual Andre Luiz, em Missionários da luz, livro psicografado por Francisco Cândido Xavier “a medicina humana será muito diferente no futuro, quando a ciência souber compreender a extensão e a complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias do corpo físico”.
Assim, explica a doutrina espírita que as doenças antes de se manifestarem no corpo físico estão como “’marcas’’ dessa e de outras vidas no perispírito, o corpo fluídico que reveste o foco inteligente que é o espírito. Por isso não há necessidade de cortes. A cirurgia, embora aparentemente se processe na parte externa, com curativos e assepsias, na realidade está sendo realizada na dimensão perispiritual, que recebe a vibração também fluídica enviada pelo médium, o intermediário de umum espírito preparado para isso, mas que também carrega seu magnetismo pessoal. É a mediunidade de cura, nada de sobrenatural, mas apenas um dos vários dons espirituais que todos possuem potencialmente ou já em evidência, como alertará Jesus: “Sois luzes, podeis fazer o que eu faço e muito mais”.
Normalmente, antes de ser realizada uma cirurgia espiritual, recomenda-se uma preparação mental, de comunhão de pensamentos e algumas restrições a hábitos do paciente. Carne, cigarro e bebidas alcoólicas, por exemplo, atrapalham o tratamento, pois dificultam a Espiritualidade de realizar seu trabalho que se utiliza de energias mais sutis de modo que possam atingir o corpo espiritual pela sua constituição mais etérea.
A cirurgia realizada no ator Reynaldo Gianecchini é bem conhecida no meio espírita. Aliás, há diversos centros que realizam essa atividade nas assistencias espirituais , que não dispensam de forma alguma o tratamento médico. São terapias espirituais ministradas através de passes e fluidificação de águas, que são procurados por pessoas do país inteiro, muitas vezes também do Exterior, espíritas ou não. Não há dados precisos sobre os milhares de pessoas que passam diariamente pelas casas espíritas em busca de alívio para seus sofrimentos e dores. Muitas delas dispõem inclusive de médiuns que aliam ao tratamento espiritual a homeopatia e a fitoterapia, assunto que será tratado com mais detalhes na próxima edição do jornal Correio Fraterno.
Os casos de sucesso em cirurgias espirituais não são poucos, mas é preciso compreender que a cura é algo bem mais complicado para se analisar, principalmente sob a visão espírita, por ser uma combinação de fatores, submetidos a uma lei imutável e eterna: a lei divina. Esses fatores envolvem o doente, o médium, o compromisso reencarnatório, enfim vários aspectos  particulares de cada doente.
A Fé, ingrediente principal de uma cirurgia espiritual, é outro ponto a ressaltar, pois quando se fala em fé, coloca-se em ação um dos atributos mais importantes do espírito: a vontade. É ela que nos impulsiona a novas conquistas, a novos patamares de sentimentos, de pensamentos e de renovação. Por isso Kardec nos convida à conquista da fé inabalável, a raciocinada, que pode enfrentar todas as épocas da Humanidade.
A doença do corpo, claro, deve ser cuidada de todas as formas e com as indicações que possam estar disponíveis. Mas é preciso compreender que antes da doença há um espírito, com suas histórias milenares, compromissos e escolhas, seus limites e dúvidas, suas esperanças e dificuldades. Único, enfim. Cada qual com sua tarefa a cumprir.
Muito mais que essa reencarnação, há uma vida infinita que merece cuidado e carinho. E não estamos sós nessa jornada.
Que Deus abençoe sua vida, Gianecchini, e que a esperança, a força e a coragem façam morada no seu coração. Estamos todos nessa mesma luta, como você!

*Estamos preparando para a proxima edição do Correio Fraterno uma matéria especial sobre o uso da fitoterapia nas casas espíritas. Se você tiver alguma experiência, alguma história a respeito, envie-nos para publicação no nosso site.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... 
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. 
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? 
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.... 
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. 
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. 
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. 
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. 
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. 
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. 
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. 
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. 
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é! Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão!
                                                                                                                                       Fernando Pessoa 

domingo, 4 de setembro de 2011

Carta a um Fundamentalista.



E-mail enviado por um estudante de teologia de Boston para Laura Schlessinger, uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show.
Recentemente ela disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levíticos 18:22 e não pode ser perdoada em qualquer circunstância.
O texto abaixo é uma carta aberta para Dra. Laura, escrita por um cidadão americano e também disponibilizada na Internet.


Cara Dra. Laura

Obrigado por ter feito tanto para educar as pessoas no que diz respeito à Lei de Deus. Eu tenho aprendido muito com seu show, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso.
Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levítico 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.
Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas leis específicas e como seguí-las:
a) Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, eu sei que isso cria um odor agradável para o Senhor (Levítico 1:9). O problema são os meus vizinhos. Eles reclamam que o odor não é agradável para eles. Devo matá-los por heresia?
b) Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela?
c) Eu sei que não é permitido ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela ? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.
d) Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a mexicanos, mas não a canadenses. Você pode esclarecer isso?
Por que eu não posso possuir canadenses?
e) Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo?
f) Um amigo meu acha que mesmo que comer moluscos seja uma abominação (Levítico 11:10), é uma abominação menor que a homossexualidade.Eu não concordo. Você pode esclarecer esse ponto?
g) Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?
h) A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como eles devem morrer?
i) Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco)
j) Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levítico 19:19, porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliester). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)?
Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?
Eu sei que você estudou essas coisas a fundo, então estou confiante que possa ajudar.
Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de Deus é eterna e imutável.
Seu discípulo e fã ardoroso.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Inconsciente e Complexos

"Grupo de Estudos da Série Psicológica “Joanna de Ângelis" Módulo 5 – Inconsciente e Complexos



Bibliografia:
·         Amor, Imbatível Amor: Capítulo 1 – Amor, imbatível amor (item: Poder para o prazer);  Capítulo 4 – Mecanismos Conflitivos  (item: Feridas e cicatrizes da infância)
·         Autodescobrimento: Capítulo 4 – O Inconsciente e a Vida (Itens: O Inconsciente e o Inconsciente Sagrado); Capítulo 12 – Triunfo sobre o Ego (itens: Infância Psicológica; Insegurança e Arrependimento).
·         Encontro com a Saúde e a Paz: Capítulo 3 – Autodesamor (itens: Introdução, Autocondenação; Autopiedade).
·         Momentos de Saúde: Capítulo 4 – Liberação
·         O Despertar do Espírito: Capítulo 2 – Auto-Realização (itens: Introdução; Subpersonalidades); Capítulo 6 – (Item: O Ser humano perante si mesmo).
·         O Homem Integral: Capítulo 4 – O Homem em busca do êxito (Item: Insegurança e Crises);
·         Triunfo Pessoal: Capítulo 1 – O Cérebro e o Espírito (Item: O inconsciente); Capítulo 3 – Tormentos Psicológicos (Itens: Insegurança Pessoal; Desajustes Internos); Capítulo  4 – Realização Interior (item: Complexo de inferioridade)
·         Vida: Desafios e Soluções: Capítulo 2 – Significado do Ser Existencial (item: Conflitos pessoais); Capítulo 7 – Descobrindo o Inconsciente (Item: Análise do Inconsciente).
·         Em Busca da Verdade: Capítulo 1 – O Ser Humano e sua Totalidade; Capítulo 9 – Busca Interior (Item: Identificando o Inconsciente).


1. Inconsciente

O Inconsciente é a totalidade dos fenômenos psíquicos, destituídos da qualidade de consciência. Ele é, ao mesmo tempo, vasto e inexaurível. Não é simplesmente o desconhecido, ou o depósito dos pensamentos e emoções conscientes que foram reprimidas, mas inclui os conteúdos que podem ou que irão se tornar conscientes.

“Assim, definido, o inconsciente descreve um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que eu sei, mas que no momento não estou pensando; tudo aquilo de que antes eu tinha consciência, mas de que agora me esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo isto é o conteúdo do inconsciente”.  (JUNG)

Sempre que o inconsciente se torna superativo, ele se manifesta através de sintomas, que paralisam a ação consciente. É o que sucede quando os fatores inconscientes são ignorados ou reprimidos.

Jung atribuía ao inconsciente uma função criativa, no sentido de que este apresenta à consciência conteúdos necessários à saúde psicológica. Não é, contudo, superior à consciência; suas mensagens devem ser, sempre, mediadas pelo ego.

1.1. Inconsciente Pessoal

O que vai acontecer com as experiências que não tem aceitação do ego? Ficam, armazenadas no que Jung denominou inconsciente pessoal. Este nível da mente é contínuo ao ego. É o receptáculo que contém todas as atividades psíquicas e os conteúdos que não se harmonizam com a individuação ou função consciente.

Nele estão as memórias perdidas, idéias dolorosas que são reprimidas (isto é, esquecidas de propósito), percepções subliminares (aquelas percepções dos sentidos que não são suficientemente fortes a ponto de atingir a consciência) e, finalmente, conteúdos que ainda não estão maduros para a consciência. Ficam muitas vezes esquecidos, simplesmente porque não eram importantes ou porque assim pareceram na época em que foram experimentados. Todas as experiências fracas demais para atingir a consciência, ou para nela permanecerem, ficam armazenadas no inconsciente pessoal.

Os conteúdos do inconsciente pessoal, de modo geral, têm fácil acesso à consciência quando surge tal necessidade, por exemplo, uma pessoa sabe os nomes de muitos amigos e conhecidos, naturalmente, tais nomes não permanecem o tempo todo presentes na consciência, mas estão à disposição sempre que necessário. Experiências que passaram despercebidas durante o dia podem aparecer num sonho na noite do mesmo dia. Na realidade, o inconsciente pessoal desempenha um papel importante na produção dos sonhos.


1.2. Inconsciente Coletivo

Na concepção da Psicologia Analítica, trata-se da camada estrutural da psique humana, que contém elementos herdados, distintos do inconsciente pessoal. Ele contém toda a herança espiritual da evolução da humanidade, nascida novamente na estrutura cerebral de cada indivíduo. É um reservatório de imagens latentes, em geral denominadas “imagens primordiais[1]”, por Jung. Importante ressaltar, no entanto, que a partir da visão espírita, que inclui o  conceito de reencarnação, verificamos que a estrutura do inconsciente Coletivo apresenta a própria evolução do espírito, como forma de registrar os avanços efetuados na escala evolutiva. Não se trata, portanto, de o Inconsciente Coletivo registrar a vida de todas as pessoas, em todas as épocas, mas as suas próprias experiências em vidas e eras passadas.

O homem herda tais imagens do passado ancestral, passado que inclui todos os antecessores humanos, bem como os antecessores pré-humanos ou animais. Estas imagens não são herdadas no sentido da pessoa lembrar delas conscientemente. São predisposições ou potencialidades no experimentar e no responder ao mundo tal como os antepassados.

O homem nasce com muitas predisposições para pensar, sentir, perceber e agir de maneiras específicas. O desenvolvimento e a expressão de tais predisposições ou imagens latentes dependem inteiramente das experiências do indivíduo. Quanto maior o número de experiências, mais numerosas as probabilidades de as imagens latentes tornarem-se manifestas.    

Jung derivou sua teoria do inconsciente coletivo da presença dos fenômenos psicológicos que não podem ser explicados à base da experiência pessoal. Quanto mais nos tornamos cientes dos conteúdos do inconsciente pessoal, tanto mais se revela o rico substrato das imagens e dos motivos compreendidos no inconsciente coletivo. O seu efeito é o alargamento da consciência.


2. Complexos

2. 1. Complexos: A Pedra no nosso sapato

Você já deve ter ouvido alguém dizer “fulano é complexado”ou “aquele sujeito tem complexo de inferioridade (ou de superioridade)”. Existem vários tipos de complexos, como os de Peter Pan, o menino que não queria crescer; de Cassandra, a mulher intuitiva mas incapaz de se fazer acreditar, etc. O termo “complexo”, que passou a fazer parte da linguagem do dia-a-dia, foi introduzida por Jung para definir determinados termos emocionais que, não conscientizados, nos atrapalham, e muito.

Complexo é uma fonte carregada de energia, com forte coloração afetiva, formada por associações, ou seja, imagens, percepções, idéias e fantasias encadeadas e agrupadas ao redor de um núcleo (arquétipo). São pontos focais ou nodais da vida psíquica que não devem faltar, pois, de outra maneira, a atividade psíquica chegaria a uma paralisação fatal. Os complexos contêm o poder impulsionador da vida psíquica. 

O interesse de Jung pelo estudo dos complexos nasceu de um acontecimento curioso. Certa vez, um colega contou-lhe sobre uma experiência que tivera durante uma longa viagem de trem pela Rússia. Embora desconhecesse o alfabeto cirílico (Russo), ele começou a divagar em torno dos anúncios que avistava nas estações, entrou num estado de devaneio intermediário entre o sono e a vigília, no qual imaginava toda espécie de significados para aquelas palavras. Uma idéia foi levando à outra e, como se estivesse tendo um sonho, embora acordado, muitas lembranças antigas começaram a emergir. Algumas situações desconfortantes, há tempo esquecidas, voltaram à tona. Conteúdos que ele conseguira apagar tinham, para sua surpresa, retornados.

Tal relato inspirou Jung, que, nessa época, trabalhando como assistente de Bleuler da clínica psiquiátrica de Burghölzli, havia se tornado um perito na realização de testes de associação com palavras.

A partir dessas experiências, Jung descobriu que o inconsciente tem uma certa autonomia, sendo capaz de se impor à mente consciente. Essa autonomia é que fazia com que a pessoa dissesse coisas que não queria dizer conscientemente. Tais perturbações indicariam que a palavra-estímulo havia atingido um ponto sensível do inconsciente de pessoa.

Suas observações levaram-no a descobrir no inconsciente um núcleo que funciona como uma espécie de ímã, com capacidade de atrair conteúdos da consciência para perto de si. Esse núcleo central seria constituído pelo arquétipo, ao redor do qual orbitam numerosas associações e idéias de conteúdo afetivo, dotadas de uma grande quantidade de energia psíquica acumulada. A esse conjunto ele denominou complexo.

Jung: “É possível alcançar o centro do complexo diretamente, de qualquer ponto de uma circunferência, seja a partir de um sonho, do alfabeto cirílico, das meditações sobre uma bola de cristal, de um moinho de orações lamaístas, de um quadro de pintor moderno ou, até mesmo, de um bate-papo ocasional”.

2.2. Os complexos atrapalham a nossa vida

Na prática, surgem dois problemas fundamentais decorrentes de nossos complexos. O fato de uma parte da totalidade da psique ser excluída da consciência é um axioma da psicologia profunda. Essa parte é inativa só aparentemente. Trata-se da nossa sombra, onde estão os complexos que arquitetam os sonhos e pesadelos, produzem os sintomas neuróticos, nos induzem a cometer erros, a ter brancos de memórias, a praticar atos falhos, a nos colocarmos em situações constrangedoras.

É possível comparar os complexos inconscientes com os espíritos (obsessões). Esse o motivo que levou Jung a acreditar que muito do que se pensava ser “espiritual” correspondia a comunicações emanadas do mundo inferior da psique. Nesse sentido, os complexos têm uma verdadeira autonomia, parecendo contar com vontade própria e com uma personalidade independente. Seriam o que algumas tribos indígenas chamam de almas parciais, ou os demônios, dos quais na Idade Média as pessoas eram possuídas.

Situações ou imagens corriqueiras podem nos levar a ter contato com nossos complexos. Tratando-se dos pontos sensíveis da psique, os complexos são como os nossos órgãos feridos, que reagem rápida e intensamente aos estímulos e perturbações externas. De fato, são a pedra no nosso sapato, a nossa ferida. Por essa razão, a maneira mais rápida, apesar de mais dolorosa, de percebermos um complexo é ficarmos atentos às situações em que somos levados por algum afeto.

Sempre que uma emoção nos domina, é sinal de que algum complexo foi ativado. Jung dizia que não somos nós que possuímos um complexo, mas ele é que nos possui. Enquanto o complexo estiver no inconsciente, isto é, enquanto não estivermos conscientes dele, estaremos sob seu poder, sujeitos às reações mais irracionais. Os complexos do inconsciente nos visitam entrando pela porta dos fundos, invadindo nossa intimidade nas horas mais inoportunas. Seu propósito é o de nos revelar o que menos gostamos de ver em nós mesmos: nossa Sombra.

São os amigos e as pessoas mais íntimas os que costumam enxergá-la. Se alguém nos faz ou nos fala algo que toca nossa Sombra, ficamos possuídos pela raiva, pela vergonha ou pelo medo. Ficamos sob tempestades emocionais, imersos em paixões que se voltam contra nós mesmos ou contra quem denunciou nosso lado sombrio, escondido da consciência. Nossa reação é devolver a critica, manifestar intolerância, preconceito, acalentar desejos de vingança e, às vezes, aprontar muita confusão. Ou, então, ruborizarmos, ou gelarmos. Às vezes, também engasgamos, tossimos, emburramos. É comum, ao longo de nossas vidas, repetirem-se as situações e as reações de desconforto motivadas por nossos complexos. Quantas vezes voltamos a ter procedimentos que havíamos jurado nunca mais repetir? Nossos complexos nos levam a ter atitudes inadequadas, a falhar com os amigos, a fazer o que não queríamos. Finalmente, após inúmeros confrontos com nossos erros, defeitos e inferioridades, nos livramos de sua influência. Ou, como dizia Jung, eles um dia nos abandonam.

2.3. Projetamos nossos complexos nos outros

Quanto menos consciente estivermos do seu conteúdo, mais facilmente determinado complexo é projetado em pessoas do mundo exterior que, de certa maneira, dizem respeito a características que ele apresenta. Enquanto forem construtivas, ajudando na adaptação ao mundo, as projeções terão um papel positivo. Pode-se mesmo dizer que o indivíduo com certo grau de autonomia mantém as projeções favoráveis à mão, evitando as desfavoráveis.

A projeção dos complexos pode ser construtiva em determinadas fases do desenvolvimento da personalidade. Em certos casos, pode causar problemas nas relações pessoas. Sempre que uma nova diferenciação entre sujeito e objeto se fizer necessária, o ego terá que se confrontar com o aspecto inconsciente que estava projetado no objeto e tentar integrar as projeções em suas própria personalidade.

Imagine, por exemplo, uma mulher extremamente ambiciosa, porém sem consciência desse aspecto de sua personalidade (que ficará armazenado na sombra). Ela se apaixona e se casa com um homem muito rico, poderoso e bem-sucedido. Caso se acomode e passe a viver seus desejos ambiciosos por intermédio dele, podemos dizer que sua sombra está projetada no marido. Enquanto durar o relacionamento, ela talvez não entre conscientemente em contato com seu lado sombrio, que permanecerá projetado. Mas, no momento em que houver uma crise na relação, a mulher deverá confrontar-se com seus desejos ambiciosos não elaborados e buscar algum meio de realizá-los por si mesma.

Um homem extremamente sensível, não consciente de sua sensibilidade, apaixona-se por uma artista plástica, passando a viver seu lado artístico projetado nela. Cedo ou tarde ele irá confrontar-se com sua Sombra e deverá desenvolver sua sensibilidade.

No caso de uma pessoa neurótica, sua relação com o mundo ao redor é tão intensa que ela não pode evitar que as projeções negativas de seus complexos sejam feitas sobre os objetos mais próximos, levando aos conflitos. Por ser inconsciente, o valor dos objetos que contêm as projeções dos complexos é exagerado. Quantas vezes uma banalidade qualquer, uma pequena diferença de opinião ou uma simples contrariedade não transforma a relação entre duas pessoas numa verdadeira guerra? O neurótico é forçado a se conscientizar dessas projeções, a reconhecer que o inimigo está dentro dele e não fora. O mesmo não o corre com o indivíduo em sintonia consigo mesmo, embora suas projeções sejam também perigosamente ilusórias.

De acordo com Jung: “Muitos complexos são separados do consciente porque este preferiu eliminá-los através da repressão. Mas há outros que nunca estiveram no consciente ante e, portanto, nunca poderiam ter sido arbitrariamente reprimidos. Eles transbordam do inconsciente e invadem a mente consciente com suas convicções e impulsos estranhos e incontestáveis.

Se uma pessoa ou objeto torna-se alvo de alguma de nossas projeções, eles passam a ser portadores de nossas imagens e de nossos símbolos. Dessa forma, o objeto exterior assume as características do nosso complexo inconsciente e começa a exercer, de maneira mágica, pela via do inconsciente, uma influencia direta sobre nós. Por meio do mecanismo da projeção, passamos a ver nossos aspectos inconscientes fora de nós e temos à ilusão de que nos livramos dele. Desse modo, há duas “vantagens”: achamos que tais aspectos inconscientes não nos dizem respeito e, portanto, não nos sentimos obrigados a lidar com eles.(Qualquer objeto pode ser depositório de nossos complexos).

Um momento de crise em um relacionamento pode ser uma boa oportunidade para as pessoas tentarem identificar seus complexos, percebendo as projeções inconscientes, o que se completa quando o que foi projetado puder “voltar para casa”, isto é, quando o valor simbólico que havia sido depositado na pessoa ou no objeto puder, por meio de conscientização, retornar ao sujeito, juntamente com seu significado. A única maneira de evitarmos as projeções é conscientizando-nos dos nossos complexos e confrontando-os. Como afirmou Jung, o caminho da diferenciação da consciência e do ego deve obrigatoriamente passar pelo desligamento dos imagos[2] que atribuem aos objetos um significado exagerado. Com o desligamento, o sujeito recupera a energia psíquica inconsciente e dissociada da qual ele necessita para seu desenvolvimento.

Se tudo o que é inconsciente é projetado, e se toda projeção – por exemplo, alguma coisa que nos aborrece acerca de outra pessoa – diz respeito ao conteúdo da própria psique do indivíduo, como podemos saber a diferença entre perceber adequadamente um fato e projetá-lo?

É a coloração emocional que vai nos dizer se estamos ou não envolvidos numa projeção. Já que a projeção é sempre a visualização de um complexo, ela se faz sentir por uma forte carga de afeto. Toda vez que uma projeção está envolvida, ela nos “irrita”, nos “aborrece”. Nossa reação é determinada pelo afeto e somos, portanto, incapazes de reagir adequadamente em relação a uma pessoa ou situação; não conseguimos nem aceitar, nem modificar, nem abandonar essa pessoa ou situação. 

Em síntese, pode-se dizer que o complexo inconsciente nem sempre é um inimigo atroz, pois, embora crie situações desagradáveis, ajuda a pessoa a conhecer-se. Como diz o ditado popular, há males que vêm para bem. O inconsciente pode tornar-se nosso maior aliado se formos capazes de aceitar suas mensagens, uma vez que em nossa Sombra estão também presentes os aspectos sadios e criativos de nossa personalidade que ainda não se desenvolveram.


3. Fontes Bibliográficas para o texto:

Luiz Paulo Grinberg – Jung: o homem criativo.

Edward C. Whitmont – A Busca do Símbolo.

Daryl Sharp – Léxico Junguiano

Calvin S. Hall e Vernon J. Nordby – Introdução à Psicologia Junguiana.


[1] Primordial significa primeiro ou original.
[2] Imagem psíquica de algo ou de alguém criada subjetivamente, produzida pela percepção sensorial associada a emoções, impressões interiores ou fantasias inconscientes advindas do arquétipo. 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Reencarnação na História da humanidade



“Antes de nascer, a criança já viveu e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce". Papiro Egípcio (3.000 a.C.)

Da mesma forma que nos desfazemos de uma roupa usada para pegar uma nova, assim a alma se descarta de um corpo usado para se revestir de novos corpos." Bhagavad Gita (3.000 a.C.)

Ninguém pode ser salvo sem renascer e sem livrar-se das paixões que entraram no último nascimento espiritual.” Hermes Trismegisto (1.250 a.C.)

A Alma nunca morre, mas recomeça uma nova vida, ela nada mais faz que mudar de domicílio, tomando uma outra forma. Quanto a mim, que vos revelo estas misteriosas verdades, já fui Euforbes numa outra vida, no tempo da guerra de Tróia, lembro-me perfeitamente bem de meu nome e de meus pais, assim como do modo como fui morto em combate com o rei de Esparta. Em Micenas, no templo de Juno, vi suspenso na parede o meu próprio escudo de um outro tempo. Mas, embora vivendo em vários corpos, a Alma é sempre a mesma, pois só a forma muda.” Pitágoras (572 - 492 a.C.)

Os seres humanos que se apegam demasiado aos valores materiais são obrigados a reencarnar incessantemente, até compreenderem que ser é mais importante do que ter” Buda (563 - 483 a.C.)

Estou convencido que vivemos novamente e que os vivos emergem dos que morreram e que as almas dos que morreram estão vivas.” Sócrates | Filósofo Grego (469 - 399 a.C.)

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Jesus (João 3:3)

Morrer é mudar de corpo como os atores mudam de roupa.” Plotino (205 - 270 d.C.)

Fui mineral, morri e me tornei planta, como planta morri e depois fui animal, como animal morri e depois fui homem, porque teria eu medo? Acaso fui rebaixado pela morte? Vi dois mil homens que eu fui; mas nenhum era tão bom quanto sou hoje. Morrerei ainda como homem, para elevar-me e estar entre os bem-aventurados anjos. Entretanto, mesmo esse estado de anjo terei de deixar.” Al Rumi | Poeta Islâmico (1.210 - 1.273 d.C.)

Lê-me, leitor, se encontras prazer em ler-me, porque muito raramente eu voltarei a este mundo.” Leonardo da Vinci (1.452 - 1.519 d.C.)

Se aceitamos a crença numa continuação da vida, a prática religiosa se torna uma necessidade que nada pode suplantar, para preparar sua encarnação futura... Seja qual for o nome dessa religião, o fato de compreendê-la e praticá-la torna-se a base essencial de uma mente que está em paz, portanto, de um mundo em paz. Se não há paz na mente, não pode haver paz alguma no modo como uma pessoa se relaciona com as outras, e, por conseguinte, não pode haver relações entre os indivíduos ou entre as nações.” Um Dalai Lama (1.500 d.C.)

Sinto que logo deixarei esta vida terrena. Mas como estou convencido de que nada existe na natureza que possa ser aniquilado, tenho como certeza que o mais nobre de mim mesmo não cessará de viver. Embora eu me arrisque a não ser rei em minha próxima vida... ora, tanto melhor! ...viverei mesmo assim uma vida ativa e, o que é melhor, sofrerei menos por ingratidão.” Frederico “O Grande” (1.712 - 1.786 d.C.)

“Estou certo de que estive aqui, como estou agora, mil vezes antes e espero retornar mil vezes... A alma do homem é como a água; Vem do Céu e sobe para Céu, para depois voltar a Terra, em um eterno ir e vir.” Goethe (1.749 - 1.832 d.C.)

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Jesus (João 3:3) 

domingo, 20 de março de 2011

Mediunidade Responsável



Mediunidade Responsável
Terrorismo de natureza mediúnica

          Sutilmente vai-se popularizando uma forma lamentável de revelação mediúnica, valorizando as questões perturbadoras que devem receber tratamento especial, ao invés de divulgação popularesca de caráter apocalíptico.
          Existe um atavismo no comportamento humano em torno do Deus temor que Jesus desmistificou, demonstrando que o Pai é todo Amor, e que o Espiritismo confirma através das suas excelentes propostas filosóficas e ético-morais, o qual deve ser examinado com imparcialidade.
          Doutrina fundamentada em fatos, estudada pela razão e lógica, não admite em suas formulações esclarecedoras quaisquer tipos de superstições, que lhe tisnariam a limpidez dos conteúdos relevantes, muito menos ameaças que a imponham pelo temor, como é habitual em outros segmentos religiosos.
          Durante alguns milênios o medo fez parte da divulgação do Bem, impondo vinganças celestes e desgraças a todos aqueles que discrepassem dos seus postulados, castrando a liberdade de pensamento e submetendo ao tacão da ignorância e do primitivismo cultural as mentes mais lúcidas e avançadas...
          O Espiritismo é ciência que investiga e somente considera aquilo que pode ser confirmado em laboratório, que tenha caráter de revelação universal, portanto, sempre livre para a aceitação ou não por aqueles que buscam conhecer-lhe os ensinamentos. Igualmente é filosofia que esclarece e jamais apavora, explicando, através da Lei de Causa e Efeito, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, porque sofremos, quais são as razões das penas e das amarguras humanas... De igual maneira, a sua ética-moral é totalmente fundamentada nos ensinamentos de Jesus, conforme Ele os enunciou e os viveu, proporcionando a religiosidade que integra a criatura na ternura do seu Criador, sendo de simples e fácil formulação.
        Jamais se utiliza das tradições míticas greco-romanas, quais as das Parcas, sempre tecendo tragédias para os seres humanos, ou de outras quaisquer remanescentes das religiões ortodoxas decadentes, algumas das quais hoje estão reformuladas na apresentação, mantendo, porém, os mesmos conteúdos ameaçadores. De maneira sistemática e contínua, vêm-se tornando comuns algumas pseudorrevelações alarmantes, substituindo as figuras mitológicas de Satanás, do Diabo, do Inferno, do Purgatório, por Dragões, Organizações demoníacas, regiões punitivas atemorizantes, em detrimento do amor e da misericórdia de Deus que vigem em toda parte.
         Certamente existem personificações do Mal além das fronteiras físicas, que se comprazem em afligir as criaturas descuidadas, assim como lugares de purificação depois das fronteiras de cinza do corpo somático, todos, no entanto, transitórios, como ensaios para a aprendizagem do Bem e sua fixação nos painéis da mente e do comportamento.
         O Espiritismo ressuscita a esperança e amplia os horizontes do conhecimento exatamente para facultar ao ser humano o entendimento a respeito da vida e de como comportar-se dignamente ante as situações dolorosas. As suas revelações objetivam esclarecer as mentes, retirando a névoa da ignorância que ainda permanece impedindo o discernimento de muitas pessoas em torno dos objetivos essenciais da existência carnal.
          Da mesma forma como não se deve enganar os candidatos ao estudo espírita, a respeito das regiões celestes que os aguardam, desbordando em fantasias infantis, não é correto derrapar nas ameaças em torno de fetiches, magias e soluções miraculosas para os problemas humanos, recorrendo-se ao animismo africanista, de diversos povos e às suas superstições. No passado, em pleno período medieval, as crenças em torno dos fenômenos mediúnicos revestiam-se de místicas e de cerimônias cabalísticas, propondo a libertação dos incautos e perversos das situações perniciosas em que transitavam.
          O Espiritismo, iluminando as trevas que permanecem dominando incontáveis mentes, desvela o futuro que a todos aguarda, rico de bênçãos e de oportunidades de crescimento intelecto-moral, oferecendo os instrumentos hábeis para o êxito em todos os cometimentos.
          A sua psicologia é fértil de lições libertadoras dos conflitos que remanescem das existências passadas, de terapêuticas especiais para o enfrentamento com os adversários espirituais que procedem do ontem perturbador, de recursos simples e de fácil aplicação.
          A simples mudança mental para melhor proporciona ao indivíduo a conquista do equilíbrio perdido, facultando-lhe a adoção de comportamentos saudáveis que se encontram exarados em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, verdadeiro tratado de eficiente psicoterapia ao alcance de todos que se interessem pela conquista da saúde integral e da alegria de viver.
          Após a façanha de haver matado a morte, o conhecimento do Espiritismo faculta a perfeita integração da criatura com a sociedade, vivendo de maneira harmônica em todo momento, onde quer que se encontre, liberada de receios injustificáveis e sintonizada com as bênçãos que defluem da misericórdia divina.
          A mediunidade, desse modo, a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam.
          Jamais a mediunidade séria estará a serviço dos Espíritos zombeteiros, levianos, críticos contumazes de tudo e de todos que não anuem com as suas informações vulgares, devendo tornar-se instrumento de conforto moral e de instrução grave, trabalhando a construção de mulheres e de homens sérios que se fascinem com o Espiritismo e tornem as suas existências úteis e enobrecidas.
          Esses Espíritos burlões e pseudossábios devem ser esclarecidos e orientados à mudança de comportamento, depois de demonstrado que não lhes obedecemos, nem lhes aceitamos as sugestões doentias, mentirosas e apavorantes com as histórias infantis sobre as catástrofes que sempre existiram, com as informações sobre o fim do mundo, com as tramas intérminas a que se entregam para seduzir e conduzir os ingênuos que se lhes submetem facilmente...
          O conhecimento real do Espiritismo é o antídoto para essa onda de revelações atemorizantes, que se espalha como um bafio pestilencial, tentando mesclar-se aos paradigmas espíritas que demonstraram desde o seu surgimento a legitimidade de que são portadores, confirmando o Consolador que Jesus prometeu aos seus discípulos e se materializou na incomparável Doutrina.
          Ante informações mediúnicas desastrosas ou sublimes, um método eficaz existe para a avaliação correta em torno da sua legitimidade, que é a universalidade do ensino, conforme estabeleceu o preclaro Codificador.
          Desse modo, utilizando-se da caridade como guia, da oração como instrumento de iluminação e do conhecimento como recurso de libertação, os adeptos sinceros do Espiritismo não se devem deixar influenciar pelo moderno terrorismo de natureza mediúnica, encarregado de amedrontar, quando o objetivo máximo da Doutrina é libertar os seus adeptos, a fim de os tornar felizes.
Vianna de Carvalho
(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de dezembro de 2009, durante o período de realização do XVII Congresso Espírita Nacional, em Calpe, Espanha.)
Controle universal do ensino dos Espíritos
          O Espiritismo não tem nacionalidade, não faz parte de nenhum culto particular, nem é imposto por nenhuma classe social, visto que qualquer pessoa pode receber instruções de seus parentes e amigos de além-túmulo. Era preciso que fosse assim, para que ele pudesse conclamar todos os homens à fraternidade. Se não se mantivesse em terreno neutro, teria alimentado as dissensões, em vez de apaziguá-las.
         Essa universalidade no ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo; aí reside também a causa de sua tão rápida propagação. Enquanto a palavra de um só homem, mesmo com o concurso da imprensa, levaria séculos para chegar ao conhecimento de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente em todos os pontos da Terra, proclamando os mesmos princípios e transmitindo-os aos mais ignorantes, como aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado. É uma vantagem de que não havia gozado ainda nenhuma das doutrinas surgidas até hoje. Se o Espiritismo, portanto, é uma verdade, não teme o malquerer dos homens, nem as revoluções morais, nem as perturbações físicas do globo, porque nada disso pode atingir os Espíritos.
         Não é essa, porém, a única vantagem que resulta da sua excepcional posição. O Espiritismo nela encontra poderosa garantia contra os cismas que pudessem ser suscitados, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos Espíritos. Tais contradições, certamente, são um escolho, mas que traz consigo o remédio, ao lado do mal.
Allan Kardec
Fonte: O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Rio de
Janeiro: FEB, 2008. Introdução, item 2, p. 26-27.




domingo, 20 de fevereiro de 2011

Estudo nº 03 Tratado de Metapsíquica.


CHARLES RICHET
TRATADO DE METAPSÍQUICA 
Apresentação:

Metapsíquica - (do gr. meta - além + psikê - alma + suf.).
A Metapsíquica foi à precursora da Parapsicologia.
Ciência estabelecida e estruturada por Charles Richet, destinada a estudar os fenômenos que transcendiam à Psicologia e que fugiam ao domínio físico da ciência dita materialista.
A Ciência Oficial não admitiu de pronto as verdades reveladas pelos espíritos. Formaram-se inúmeras associações, sociedades e comissões com o ideal de desmascará-las, porém, quanto mais se estudava, mais aumentava o número de adeptos.
Muitos homens de ciência se convencem a respeito da autenticidade dos fenômenos, entre eles o fisiologista francês Charles Richet. Em conjunto com o Dr. Geley e o professor Friedrich Myers, Richet fundou o Instituto Metapsíquico Internacional em Paris, sendo designado como presidente da entidade.
A metapsíquica trata do estudo dos fenômenos psíquicos anormais, como: a telepatia, a clarividência, a dupla visão, materializações e outros.
A Obra:
Em 1922, Charles Richet apresentou à Academia de Ciências o "Tratado de Metapsíquica".
O Tratado de Metapsíquica, é uma verdadeira narração de fatos e descrições pormenorizadas de experiências psíquicas, descrições históricas e classificatórias e são divididos os fenômenos metapsíquicos em:
A - Em objetivos
B - Em subjetivos.
A - Fenômenos Metapsíquicos Objetivos: tratam de fenômenos materiais que a mecânica conhecida não explica, uma realidade tangível e acessível aos nossos sentidos.  Divide-se em:
1 - Telecinesia, que é uma ação mecânica sem atuação e sem contato sobre objetos ou pessoas (raps, levitação, movimentação de mesas, escrita direta, transporte de objeto, casas assombradas, etc)
2 - A Ectoplasmia, que é a formação de objetos diversos, que parecem sair do corpo humano, tomam aparência material e são tangíveis (materializações de objetos e seres com aparência dos que já viveram na Terra.)
B - Fenômenos Metapsíquicos Subjetivos: tratam de fenômenos mentais, sensibilidades ocultas e percepções desconhecidas, como:
1 – Telepatia: é definida como a habilidade de adquirir informação acerca dos pensamentos, sentimentos ou atividades de outra pessoa
2 – Clarividência: a habilidade de ver nos mundos invisíveis é o fenômeno que permite a percepção visual de objetos ou que permite enxergar objetos e pessoas fora do meio físico.
3 – Clariaudiência: é a faculdade mediante a qual o médium ouve vozes, sons, palavras, ruídos, sem a utilização do sentido da audição física, que estão além da percepção normal de nossa audição física comum.
4 – Xenoglossia: é uma faculdade no qual uma pessoa é capaz de falar idiomas que nunca aprendeu, como, por exemplo, uma pessoa começar a falar alemão fluentemente sem nunca ter aprendido alemão, ser alemão ou conviver com alemães.
5 - Psicografia: e a faculdade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos e pode ser consciente, semi-mecânico ou mecânico, a depender do grau de consciência do médium durante o processo de escrita.
*
Conclusões Finais:
Charles Richet foi entre os sábios de sua época que se renderam a evidência da verdade espírita.
A sua maior contribuição, sem sombra de dúvida, foi o estudo do ectoplasma, substância responsável pela viabilidade dos fenômenos ditos objetivos.
Foi ele quem, pela primeira vez, denominou a substância que emanava dos médiuns de efeitos físicos de ectoplasma, naquele momento referindo-se aos fluidos que emanavam de Eusápia Paladino (uma das maiores médiuns da história do Espiritismo): “são as formações difusas que eu chamo de ectoplasmas; porque elas parecem sair do próprio corpo de Eusápia”.
Numa experiência transcorrida com a médium Marthe Béraud, Charles Richet e Gabriel Delanne fizeram com que a “materialização” soprasse o ar de seus pulmões através de uma solução aquosa de barita, usando um pequeno tubo. O resultado foi o turvamento do líquido, revelando a presença do gás carbônico, fenômeno peculiar dos organismos vivos normais.
Na introdução do seu Tratado de Metapsíquica Richet, cita os Espíritas que já naquela época pouca importância deram a esta obra uma vez que acreditavam que tudo o que importava já havia sido escrito.
Charles Richet escreveu - se os Espíritas fossem justos, reconheceriam que a minha tentativa de fazer entrar na ordem dos fatos científicos todos os fenômenos que constituem a base de sua fé, mereceria eu verdadeiramente alguma indulgência.
*
Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.
Allan Kardec

Estudo nº 02 Biografia de Charles Richet - Metapsíquica.


CHARLES RICHET
O APÓSTOLO DA CIÊNCIA E DO ESPIRITISMO

Conhecido como o fundador da Metapsíquica, Charles Richet (1850-1935) desempenhou um papel fundamental no processo de desvendar o desconhecido mundo dos fenômenos anímicos. Em 1905, então presidente da Sociedade de Investigações Psíquicas - Londres, propôs o nome de Metapsíquica a este conjunto de conhecimentos.
"O eminente sábio da Sorbonne" um dos espíritos mais notáveis que o mundo tem possuído e admirado, tanto como cientista, filosofo, homem de letra e sociólogo, o Professor Charles Richet foi uma das figuras mais prestigiosas nos domínios da Metapsíquica e, por que não dizer, o maior mestre do Espiritualismo Experimental, que tanto alento continua derramando nas almas torturadas pelo cepticismo e pelo negativismo intransigentes, obscurecidos pelo preconceito nocivo das afirmativas a priori.
Aos fenômenos que no Espiritismo conhecemos como fenômenos inteligentes, Richet chamou Fenômenos Subjetivos. São os que se caracterizam por terem lugar unicamente na esfera psíquica, sem qualquer ação dinâmica sobre os objetos materiais.
Àqueles que o Espiritismo denomina fenômenos de efeitos físicos, e que se caracterizam pela ação física sobre os objetos materiais, Richet chamou Fenômenos Objetivos.
Embora não fosse Espírita, Charles Richet achava importante que os Espíritas reconhecessem a sua tentativa de fazer entrar na ordem dos fatos científicos todos os fenômenos que constituem a base da sua fé.
O Espiritismo muito deve a homens deste quilate, pois dotado de forte espírito investigativo aprofundou o estudo dos fenômenos mediúnicos em diversas facetas.
PRONUNCIOU NUM CONGRESSO ESPÍRITA

“...Tão invulnerável é a Ciência quando estabelece
fatos, quão deploravelmente sujeita a errar quando
pretende estabelecer negações...
Não há contradição
alguma entre os fatos e as teorias do Espiritismo e os
fatos positivos estabelecidos pela ciência...
Em lugar,
portanto, de parecer ignorarem o Espiritismo, os sábios
o devem estudar.”

Estudo nº 01 Reencarnação na Bíblia


Reencarnação na Bíblia
O escritor José Reis Chaves, em seu livro A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência
consegue, com grande clareza, provar que a reencarnação consta da Bíblia. No capítulo 3 –
Através da Bíblia, diz:
“Há muitas pessoas que afirmam convictamente que a reencarnação não está na Bíblia. O
autor deste livro também foi uma pessoa que pensava assim. Mas ela está lá, só que de um modo
oculto, esotérico ou velado, sobre o que já falamos numa outra parte anterior deste livro”.
“Quando Jesus disse que examinássemos as Escrituras, Ele quis dizer que nos
aprofundássemos no estudo da Bíblia, para que pudéssemos compreender a sua mensagem”.
“Portanto, não basta que nos informemos do conteúdo da Bíblia. É necessário que façamos um
estudo profundo do seu conteúdo. E isso tem de ser feito por quem tenha estrutura para tal, ou
seja, tenha um bom nível de instrução, seja inteligente e tenha dom para isso. É, pois, engano
pensar que só um bispo, padre ou pastor sejam pessoas que entendam a fundo de Bíblia, embora
encontremos entre eles grandes sumidades no assunto. Esses indivíduos, geralmente, pensam de
maneira diferente da maioria dos padres e pastores sobre alguns textos bíblicos, embora, às
vezes, sejam discretos em seus conhecimentos, pois têm de prestar obediência à hierarquia de
suas igrejas. A nossa opinião é a de que o indivíduo só pode conhecer as Escrituras Sagradas,
tendo liberdade de raciocínio e oportunidade, inclusive de comparar os textos bíblicos com os de
outros livros sagrados de outras religiões, pois arquétipos junguianos estão, também, presentes
nas literaturas de todas as escrituras sagradas, e não só da Bíblia”. ((CHAVES, s/d, p. 59-60)
Iniciamos colocando a fala de José Reis Chaves por ser ele católico, para não dizerem
que nós, os espíritas, estejamos distorcendo os fatos a nosso favor.
Recomendamos, inclusive, seu livro a todos que sinceramente buscam conhecer a
verdade, principalmente aos que seguem: “Examinai tudo, conservai o que é bom” (1 Tes.
5,21).
Neste livro encontramos várias passagens bíblicas, analisadas, pelo autor, sobre a
reencarnação, nós iremos nos concentrar apenas em algumas que podemos encontrar no Novo
Testamento.
Em Mateus 16,13-14, temos:
“Tendo chegado à região de Cesáreia de Felipe, Jesus perguntou aos discípulos: “Quem
dizem por aí as pessoas que é o Filho do homem?” Responderam: “Umas dizem que é
João Batista; outras, que é Elias; outras, enfim, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
Veja bem, se o povo pensava que Jesus poderia ser João Batista, Elias, Jeremias ou
algum dos profetas é porque acreditavam que alguém que já havia morrido pudesse voltar
como outra pessoa, razão da resposta. Entretanto, não tinham noção como isso poderia
acontecer. Sendo João Batista contemporâneo de Jesus, não haveria a menor possibilidade
d’Ele ser João Batista reencarnado. É a única ressalva que poderemos fazer a esse texto.
Outra passagem que podemos citar é a de João 3,1-8, entretanto essa talvez seja a
mais polêmica, porquanto as várias traduções e interpretações da Bíblia são divergentes
quanto ao termo “nascer de novo”. Mas, mesmo assim a citaremos:
“Havia entre os fariseus um, chamado Nicodemos, dos mais importantes entre os
judeus. Ele foi encontrar-se com Jesus à noite e lhe disse: “Rabi, bem sabemos que és
um Mestre enviado por Deus, pois ninguém seria capaz de fazer os sinais que tu fazes,
se Deus não estivesse com ele. Jesus respondeu: “Eu te afirmo e esta é a verdade;
ninguém verá o reino de Deus se não nascer de novo”. Disse-lhe, Nicodemos: “Como
pode nascer um homem já velho? Porventura poderá entrar de novo no seio de sua
mãe e nascer?” Jesus respondeu: “Eu vos afirmo e esta é a verdade: se alguém não
nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasce da
carne e carne. O que nasce do Espírito é espírito! Não te admires do que eu disse: é
necessário para vós nascer de novo. O vento sopra para onde quer e ouves a sua voz,
mas não sabes donde vem, nem aonde vai. Assim é quem nasce do Espírito”.
O que se pode deduzir do texto é que Nicodemos entendeu perfeitamente que era sobre
nascer de novo, que Jesus estava falando, sua dúvida ficou apenas como isso poderia ocorrer.
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Querem alguns que o nascer da água seja o batismo. Se for por que, então Jesus
reafirma: O que nasce da carne é carne; o que nasce do Espírito é espírito. Perfeitamente
coerente com o sentido de nascer da água, pois seu significado, à época, era de ser a origem
da matéria. Vemos que toda a vida material, dela depende, e, especificamente nós os
humanos, além de sermos mais água que carne, ficamos nove meses “dentro d’água” antes de
nascermos de novo.
E, como afirmamos anteriormente, esta passagem é causa de longos e polêmicos
debates.
Entretanto, encontraremos em Mateus (17,10-13) a reencarnação de forma bem mais
clara, senão vejamos:
“Os discípulos lhe perguntaram: “Por que dizem os escribas, que Elias deve vir antes?”
Respondeu-lhes: “Elias há de vir para restabelecer todas as coisas. Mas eu vos digo que
Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. Do mesmo
modo, também o filho do homem está para sofrer da parte deles. Então, os discípulos
compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista”.
Por que Elias não foi reconhecido? Porque agora animava outro corpo. Simples não?
Mas poderiam objetar: Jesus não afirmou que João Batista era Elias. Foram seus
discípulos que pensaram assim. Certo! Mas em várias oportunidades Jesus demonstrou
conhecer o pensamento das pessoas, por isso, se não disse nada em contrário é porque
sancionava o que os discípulos estavam pensando.
As dúvidas poderão ser dissipadas nesta outra narrativa. Vejamos Mateus 11,14-15: “E,
se quiserdes compreendê-los, João é o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos, que
escute bem”. Essa última frase deve ter sido dita por Jesus por que sabia que muitos não iriam
aceitar o princípio da reencarnação, mas reafirmamos: quem quiser ouvir que ouça!
É sempre colocada a passagem de Hebreus 9,27 como contrária à reencarnação, que
diz:
“Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o
juízo, assim o Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da
multidão, e aparecerá uma segunda vez, não, porém, em razão do pecado, mas para
trazer a salvação àqueles que o esperam”.
No texto não há nenhuma afirmativa contra a reencarnação. O que foi dito é o que
acontece realmente, pois no presente corpo, em que o espírito nele habita, morrerá só uma
vez, não temos nenhuma dúvida disso. Isso é válido para todas as vezes que ele (espírito) se
reencarnar, ou seja, para cada reencarnação: somente uma morte.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Setembro/2001.
Referência bibliográfica:
CHAVES, J. R. A Reencarnação segundo a Bíblia e a Ciência, 5ª ed. São Paulo; Martin Claret, s/
d.
(A título de informação, por volta de 2002, o autor passou a se declarar Espírita)